Séc. XIX
O bacalhau tem uma longa história em Portugal. O “fiel amigo” foi tradicionalmente um prato das classes mais baixas e pobres. Contudo, foi ganhando prestígio ao longo dos séculos e, no séc. XIX, era já era reconhecido como um prato para as elites, conforme afirma Eça de Queirós – “Os meus romances, no fundo, são franceses, como eu sou, em quase tudo, um francês – exceto num certo fundo sincero de tristeza lírica que é uma característica portuguesa, num gosto depravado pelo fadinho, e no justo amor do bacalhau de cebolada!”.
O bacalhau de cebolada teve, inclusivamente, menção no livro de 1876 “Arte de Cozinha”, de João da Mata, na receita intitulada “bacalhau de cebolada à diplomata”.
Faz-se um refogado em azeite com cebolas e alho cortados às rodelas, juntamente com o louro. Adiciona-se o bacalhau, com a pele virada para cima. Após o tempero a gosto, tapa-se a mistura e deixa-se cozinhar durante 15 minutos. O pimento vermelho, cortado às tiras, é adicionado até alourar. Enquanto se cozinha esta mistura no prato, cozem-se batatas num tacho à parte. Para acabar a confeção, adiciona-se vinagre a gosto no bacalhau e decora-se o prato com raminhos de salsa e azeitonas pretas.
Abel, M.; Consiglieri, C. (1998) O bacalhau na vida e na cultura dos portugueses. Academia do Bacalhau.
VVAA (2003) O Grande Livro das Receitas de Bacalhau. Impala





