Não existe uma origem específica do Pudim de Bacalhau, contudo podemos identificar esta receita num aparato histórico mais lato: os livros de cozinha, que têm um papel fundamental na construção de um corpus nacional, surgem cada vez mais no século XIX, e aqueles que falavam sobre bacalhau não ficam atrás. No século XX, a imprensa de grande circulação e a televisão acabariam por catapultar definitivamente para a fama, não só os livros de receitas, mas também os modos de preparação do “típico” peixe português que era o bacalhau. Por exemplo, já n’O Livro de Pantagruel, de 1947, temos referência ao Pudim de Bacalhau.
O termo “pudim” foi importado da terminologia inglesa, no entanto, em Portugal assemelhava-se àquilo que, pelo menos desde o século XVI, já era feito e denominado de “flans” ou “flaones”. Podemos certamente calcular que, com a proliferação de receitas e novas invenções em torno do cada vez mais “tradicional” bacalhau, era uma questão de tempo juntar este peixe às já conhecidas técnicas de fazer pudins.
Demolhamos o pão num pouco de leite e ralamos cenouras. Limpamos o bacalhau de peles e espinhas e desfiamo-lo. Picamos cebolas e refogamo-las no azeite. Acrescentamos o bacalhau, a cenoura já ralada e o pão espremido. Temperamos com sal e pimenta, deixamos ferver e, depois, retiramos do lume. Em seguida, ligamos o forno a 180° C e untamos uma forma com manteiga, polvilhando-a com pão ralado. À mistura de bacalhau, juntamos Béchamel e flocos de batata. Batemos os ovos e juntamo-los também, mas sem bater. Vertemos a mistura para dentro da forma e levamos ao forno por cerca de 30 minutos. No fim, deixamos arrefecer um pouco antes de desenformar.
Rosa-Limpo, B.; Caetano, M.M.; Canto, J.B. (2010). O Livro de Pantagruel. Temas e Debates
VVAA (2016). As melhores receitas de Bacalhau – Ideias para + de 100 refeições. Impala
Guedes, F. (2001). As 100 maneiras de cozinhar Bacalhau e outros peixes. Publicações Dom Quixote
Sobral, J. M.; Rodrigues, P. (2013) O “fiel amigo”: o bacalhau e a identidade portuguesa. Etnográfica 17 (3), p.619-649.





