Em 1773 já se reportava o consumo de bacalhau no Norte de Portugal, não sendo considerado um bem de primeira categoria.
No século XIXI, Brito Camacho, reportando-se a esses tempos, afirmava que o trabalhador rural minhoto – o mais pobre dos membros dessa sociedade rural – tinha um passadio à base de pão e caldo, “alambazando-se uma ou duas vezes na semana com uma lasca de bacalhau ou uma amostra de toucinho” (Camacho 1927: 130). O bacalhau é presença assídua nos pratos da consoada no Minho.
Apesar do consumo de salmão e lampreia dos rios Minho e Coura, esta zona apresenta várias receitas utilizando o bacalhau. O consumo de bacalhau é muito frequente nesta região, tanto nas romarias e festividades como nas merendas das tarefas agrícolas. Das receitas típicas de bacalhau, destaca-se o “Bacalhau à Minhota”, especialidade de muitos restaurantes desta região.
Fritam-se as postas de bacalhau em azeite.
Cortam-se as batatas às rodelas finas, temperadas com um pouco de sal e fritam-se no azeite onde já se fritou o bacalhau. Cortam-se, também, as cebolas às rodelas e picam-se os dentes de alho. Levam-se ao lume em 1,5 dl de azeite e logo que estejam levemente alouradas, regam-se com um pouco de vinho e deixam-se ferver mais um pouco.
Retiram-se do lume, e depois de arrefecerem levemente, junta-se-lhes o colorau.
Coloca-se o bacalhau no centro duma assadeira de barro, dispõem-se as batatas em volta e cobre-se com a cebolada.
Leva-se ao forno durante 10 minutos. Serve-se de imediato, enfeitado com azeitonas.
"Receitas e Sabores dos Territórios Rurais", MINHA TERRA - Federação Portuguesa de Associações de Desenvolvimento Local
Sobral, J. M.; Rodrigues, P. (2013) O “fiel amigo”: o bacalhau e a identidade portuguesa. Etnográfica 17 (3), p.619-649.
Camacho, B. (1927) Jornadas. Lisboa: Guimarães e C.ª.





